Não tem quem não conheça uma boa moda de viola. Diversão garantida quando se relembra refrões de Boate Azul, Saudade de Minha Terra, Menino da Porteira, Tristeza do Jeca. Como não se emocionar com a música caipira? Ela é da terra, é raiz do campo e identidade do brasileiro. Canta a vida simples retratada em versos bem elaborados. “O que eu visto não é linho, ando até de pé no chão, e o cantar de um passarinho é pra mim uma canção. Vivo com a poeira da enxada, entranhada no nariz. Trago a roça bem plantada pra servir meu país”. (Caipira – Joel Marques / Maracaí).
Apesar de a platéia geralmente ter “pessoas com idade evoluída”, como aponta Zé Goiano, a música caipira não tem idade, classe social nem sexo. Pedro Lemos conta que em suas pesquisas observou um número crescente de pessoas que descobrem “a viola como opção à falta de qualidade musical vigente nos demais estilos, mas ainda há preconceito”. E não é um movimento exclusivamente rural. “Com a concentração de violeiros nas capitais, a música caipira ganhou adeptos nos centros urbanos, apesar de não estar presente na grande mídia”. E na grande mídia não há espaço mesmo, reclama Zé Goiano, “a menos que você tenha dinheiro para injetar e poder participar dos programas de TV. Para sobreviver só da música é preciso ter dinheiro, além de uma boa dupla e uma boa gravadora”. Além disso, há um certo preconceito com o termo “caipira”. Povoa na mente de algumas pessoas a noção de que seja aquele indivíduo desinformado, incapaz e sem perspectiva. É comum ouvir entre alguns violeiros que eles tocam “viola” e não “viola caipira”. Quando muito “viola sertaneja”, “viola de 10 cordas”, mas suprimem o termo “caipira”, talvez com medo de serem caçoados.
Com isso, a cultura desse povo, que é na verdade a cultura do brasileiro, muitas vezes não se difunde. As músicas, as letras, os shows são marcadas por uma riqueza cultural que, nem sempre, é tão valorizada e apreciada.
Mesmo sem espaço e sem a apreciação devida, Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho são sempre uma boa pedida. Relembrar clássicos sempre contagia a platéia. Não tem quem não conheça uma boa e velha moda de viola.
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